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Cão Fila

Nos anos de 1970-1980 algumas pixações se tornaram bem conhecidas em São Paulo por serem pioneiras e vistas em várias partes da cidade, despertando a curiosidade das pessoas, CÃO FILA foi uma delas.

“O cão fila vai ficar conhecido como banana!”

Antenor de Lara Campos Filho, mais conhecido como Tozinho (1924 – 2012), foi filho de um grande exportador de café e viveu confortavelmente numa ilha que herdou da mãe na Represa Billings, na altura do quilômetro 26 (K26!) da Estrada dos Alvarenga no município de São Bernardo do Campo. Lá, criou seus cães da raça fila (chegando a possuir 200 cães), montou a Associação de Criadores de Fila Brasileiro (ACFB) e brincava que queria tornar a raça tão popular no Brasil quanto a banana.

Ecologista, nunca casado, sem filhos, foi também campeão de halterofilismo, motonáutica e esqui aquático, baterista, pistonista, mulherengo, usava dois palavrões para cada três palavras ditas, às vezes era até rude, mas muito leal aos amigos.

Fatores que o tornaram o excêntrico pioneiro da pixação no país? Para promover seu negócio saía numa caminhonete entupida de tinta, deixando sua enigmática e onipresente marca “CÃO FILA” ou “CÃO FILA K26“, em muros, pontes, viadutos, placas, postes, pedras e barrancos de todo o país (até em Manaus malandro!)

“Estudei táticas de guerra em livros e revistas”, explica ele. “É preciso atacar pelos flancos para fechar o cerco”.

Durante a Ditadura, chegaram a achar que a inscrição era uma mensagem política, sendo necessário Tozinho ir até uma rádio negar em entrevista, aproveitando para declarar seu apoio ao regime. Nunca foi preso e até ganhou um prêmio internacional de propaganda por ter desenvolvido uma nova mídia. Cão Fila não era um pixador, mas sim o dono de um canil onde eram vendidos cachorros da raça.

Cerca de 60% dos que lêem as inscrições, admite Tozinho, não as entendem. “Mas, de uma forma ou de outra, as pessoas acabam chegando aqui”. Isto é, na sua ilha, sede da ACFB fundada em 1972, chegando a receber até 600 visitantes por mês!

As escolhas dos locais requeriam fina sensibilidade mercadológica, um dos objetivos do comércio é convencer o público de que o fila é dócil, bonito e de “manutenção” barata. Quando morreu ao domingo do dia 29/04/12, aos 87 anos, de falência de órgãos, possuia 15 cães fila.

Esse cara que arregaçou São Paulo, e ainda na primeira metade da década de 80, oriundos do movimento punk, começam a aparecer os primeiros pixadores como conhecemos atualmente.

E foi à partir daí!

 

Postado por Fábio (Grilo)

 


Pixação com extintor de incêndio

Pixação também é arte, porquê você acha que não? Crime por dano ao patrimônio público? Eu não acho, na Antiguidade foram evidenciados elementos da pixação que continham desde xingamentos à poesias. Na Idade Média padres pixavam muros de conventos alheios no intuito de expor sua ideologia, criticar doutrinas contrárias às suas ou mesmo difamar governantes. Sejam utilizados em revoltas estudantis ou governamentais, protestos, disputas territoriais, moral, preza, é considerada transgressiva, predatória, visualmente agressiva, interfere, degrada, é suja! É uma parada que subverte valores.

A facilidade hoje está tão grande pra aquisição de latas de spray, sejam elas das mais variadas cartelas de cores possíveis, sprays “pocket”, sprays de até 750 ml, válvulas macias, baixa e alta pressão, com cheiros adocicados (de banana!) e até silenciador de cap’s!

Trecho do 100Comédia

Agora estão substituindo as latinhas de spray pelo extintor de incêndio, e tudo graças a esse cara aqui, KIDULT!

KIDULT

Inconformado com o sistema capitalista e a comercialização do grafite, este francês através do movimento chamado “Illegalize Graffiti”, demonstra em suas pixações feitas com extintor toda a sua revolta nas vitrines das grandes marcas internacionais como SoHoHermés, Céline, Christian Loubotin, Supreme, Louis Vuitton e Marc Jacobs (este último por curiosidade fotografou a fachada de sua loja e estampou em camisetas e bonés e continuou vendendo a um preço absurdo, em dois “ataques” de KIDULT) que como diz ele, usaram o grafite como uma ferramenta para lucrar e se promover.

O resultado da pixação utilizando o extintor de incêndio são com letras que passam dos sete metros de altura, é um bagulho agressivo, extremo! Aqui no Brasil também tá rolando!

Moris / BS

LARPUS

NAO

VERS

LARPUS

LARPUS

LARPUS

Postado por Fábio (Grilo)