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A cria e o criador? (Charles Bradley e James Brown)

Seguinte, aqui falaremos desse cara que é um monstro, sendo comparado com outro monstro! Cada um tem sua personalidade e sua importância, não que um seja mais importante que o outro… mas é que tipo, se um não existisse, provavelmente o outro também não! Tá confuso? Espera que vamos te explicar!

Charles Bradley (64 anos), tem em suas performances e estilo de gravação consistindo com os padrões revival da gravadora com a qual trabalha (Daptone Records), celebrando o sentimento da música funk e soul das décadas de 60 e 70. Demonstrando claramente as influências de James Brown, Sam Cooke e Otis Redding (tendo inclusive sido dito que ele ecoa a rendição evocativa de Otis Redding, FÓDA não é?)

Dá a impressão que o som desse cara foi gravado nessa década, e que foi completamente abandonado e esquecido no tempo até ser descoberto hoje! Uma parada oldschool!

Se liga no FEELING

Bradley foi criado por sua avó na Flórida até os 8 anos, viveu boa parte da sua infância nas ruas, quando conheceu sua mãe que o convidou para morar com ela no Brooklyn (Nova York). Em 1962, sua irmã o levou ao Apollo Theater para assistir um show de James Brown. Bradley ficou alucinado, aquilo mudou sua vida, sem piscar um minuto vendo o Rei do Soul arregaçando tudo e sendo ovacionado, e de tão inspirado pela apresentação começou a imitar em casa o estilo de James Brown cantar e dançar, e disse: “Eu também quero fazer isso aí e quero ser fóda! (e ter uma capa, talvez!)”

Na adolescência, Bradley fugiu de casa e foi morar nas ruas e em metrôs durante 2 anos. Trabalhou em bares, aprendeu a cozinhar e um tempo depois se alistou em um programa gratuito de educação e estímulo vocacional do governo, assim levando-o para trabalhar em um restaurante como cozinheiro-chefe. Certa vez enquanto estava trabalhando algum mano lhe disse que ele parecia com James Brown, ainda assim quando questionado se sabia cantar teve medo de admitir (aquele cagaço né?). Finalmente superou esse medo e fez cinco ou seis shows com uma banda, que acabou se separando quando os colegas de Bradley foram convocados para a Guerra do Vietnã.

“Venho me apresentando como James Brown, Otis Redding e Sam Cooke desde 1968”, conta. “Agora estou aprendendo a ser eu mesmo. É mais difícil, porque muitos momentos nas minhas letras me deixam sentimental, me fazem pensar nas coisas que estou falando. Estou cantando verdades da minha vida.”

Bradley continuou no seu trabalho de cozinheiro em um hospital para doentes mentais por 10 longos anos, até decidir se mudar atravessando o pais como caroneiro. Percorreu por Nova York, Seattle, Canadá e Alasca antes de finalmente estabelecer residência na Califórnia, onde trabalhou em empregos temporários e se apresentou em pequenos shows durante 20 anos (porra, faz as contas do quanto ele foi paciente, até aqui mais ou menos 30 anos!!!)

Quando em 1996, perdeu o emprego e decidiu retornar ao Brooklyn para ficar perto da sua família. Com o dinheiro que economizou, Bradley encheu um caminhão com seus equipamentos musicais, comprados ao longo dos anos, para novamente tentar a sorte como músico. Fez várias apresentações em clubes locais como sósia de James Brown usando o apelido Black Velvet. Durante esse período, passou por maus bocados, inclusive quase morreu em um hospital depois de ter recebido uma injeção de penicilina (da qual é alérgico) e acordado com a chegada da polícia na cena do assassinato de seu irmão na rua da casa de sua mãe!

Black Velvet

Durante suas apresentações como Black Velvet foi descoberto pelo co-fundador da Daptone Records, consequentemente sendo apresentado à Tom Brennek, que o convidou para os ensaios de sua banda. Bradley disse pra banda ir tocando seus instrumentos enquanto simplesmente ia improvisando letras durante as músicas (manja quase nada!). Depois de Bradley escrever algumas músicas, a Daptone lançou algumas delas em vinil começando em 2002, dez foram escolhidas para o seu disco de estréia: No Time For Dreaming (2011). Foram por volta de 45 anos imitando James Brown, deixa ele mostrar o som DELE agora!

(Observação: Ah, a banda? The Menahan Street Band, grupo de funk/soul experimental do Brooklyn, com músicos de outras bandas como Antibalas, El Michels Affair, Sharon Jones & The Dap-Kings e da Budos Band, só nome pesado!)

“Todos nós viemos da vida dura das ruas. Então, vendo-os (se referindo a seus ídolos), aprendi a não perder a esperança, que um dia aquilo poderia acontecer comigo, que eu encontraria meu caminho. Demorou, mas finalmente aconteceu.”

Na primavera de 2012 foi lançado Soul of America, um documentário dirigido por Poull Brien, que conheceu Bradley quando dirigiu o videoclipe para a música “The World (Is Going Up In Flames)”. O filme conta a história de Bradley desde sua infância na Flórida, passando por seus dias de mendigo e seus shows como Black Velvet, o filme termina com sua primeira turnê e gravação do disco pela Daptone Records. O segundo disco de Bradley, Victim of Love, foi lançado em 2 de abril de 2013 ainda pela Daptone Records.

Trailer: Soul of America (2012)

The World (Is Going Up In Flames)

E ele fez show por aqui na Virada Cultural de 2012!

Depois de saberem da história desse cara, escutem um pouco para terem noção realmente do que estamos falando, ele se entrega, ele é apaixonado pra caralho, ele destrói, ele chora, ele dança:

Charles Bradley and The Menahan Street Band (Full Performance – Live on KEXP)

Charles Bradley and The Menahan Street Band – This Love Ain’t Big Enough (Live in Paris 07.2011)

Love Bug Blues

Obrigado Charles Bradley, pela persistência!

Postado por Fábio (Grilo)


Keith Morris e OFF!

Esse final de semana (dias 16 e 17/11) foi coroado pelos dois primeiros show do OFF! no Brasil, iniciando sua turnê por aqui! E (óbvio) estivemos lá para acompanhar essa pedrada!

OFF! é uma banda punk criada em 2009 por Keith Morris (Circle Jerks/Black Flag), Dimitri Coats (Burning Brides), Steven Shane McDonald (Redd Kross) e Mario Rubalcaba (Rocket From the Crypt/Hot Snakes). O grupo surgiu a partir de composições que deveriam integrar um novo disco do Circle Jerks, produzido por Coats. Um desentendimento entre Morris e os outros membros da banda fez com que a produção do álbum fosse abortada, levando à formação do OFF!

Dia 16/11, noite agradável em SP, breja gelada, fila quilométrica (mas era só pressão, entrada de boa!), adentramos o recinto onde Keith Morris já colocou os pés em 2009 com o Circle Jerks, já esperando pela cacetada!

“Somos altos, barulhentos, rápidos, prepotentes e desafiadores. Tudo aquilo que os seus pais não gostam.” Keith Morris

Com abertura da banda Water Rats de Curitiba, que também abriu o show deles em sua terra natal, não conseguiram agitar tanto a galera que estava na pilha pelo OFF!

Keith Morris e Steven Shane McDonald

Keith Morris e Steven McDonald

Sem muita demora o OFF! já entra no palco mandando muitos sons um atrás do outro (tipo tudo!) o que para os ali presentes tornou-se um momento fóda! Rápido, pesado, agressivo, enérgico, gritado, porém com um Keith meio chato! Se liga no trecho que gravei do show, ele “puto” com um mano que embaçava pra dar mosh (~11min.), tendo que lhe ensinar em etapas: One, Two, Three!” Ou quando lhe pedi um simples “Say Hello” pra câmera (~31min.) olha o que ele me respondeu!

 Tá aí o recado pro nosso blog ESCUTO VINIL E BEBO CACHAÇA!

E a pedrada seguiu! Casa lotada, som fóda!

Em determinado momento do show uma pessoa da platéia levantou a capa de um disco do Black Flag, quando Keith disse: “Eu fiz essa banda com o meu melhor amigo do mundo, hoje ele é o maior cuzão do mundo”. E palmas da galera!

“O instinto dos músicos fala muito alto, a gente se entende no momento em que devemos fazer uma curva para a esquerda. Não estamos para brincadeira” Keith Morris

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Keith com seus 58 anos de idade destrói tudo de qualquer jeito! Já no dia seguinte (17/11) a casa estava menos cheia e começou mais cedo! Tempo já frio, ameaçando aquela chuva mas a breja ainda continuava gelada! A banda de abertura inicial, Cristo Bomba (RJ) foi substituída pelo Leptospirose (SP), surpreendendo a galera mas também sendo um ótimo show! (vide final do post).

Também sem demora, OFF! adentra o palco com Keith apresentando um por um e dando o primeiro indício de que ele estava chatão ainda, quando durante a apresentação dos integrantes ele reclamou da fumaça que era solta inicialmente no palco, pedindo encarecidamente: “No, no smoke! No smoke, please Mr. Special Effects Guy, no smoke please!” Mas na sequência já iniciaram o que fazem de melhor, rasgando só sonzêra uma atrás da outra!

Keith Morris diz que se apresentar com o OFF! afina seu sangue quando sobe ao palco.

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“Estou tocando com um novo grupo de caras e a combinação traz uma nova energia.” Keith Morris

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Dimitri Coats, Keith Morris, Mario Rubalcaba e Steven McDonald

Keith dessa vez reclamava do seu retorno, porém já dava mais risadas, estava mais raivoso nos ápices dos sons, citava o ator Robert De Niro como seu preferido bem como seus filmes, o porque do “King Kong Brigade”, e não permitindo que ninguém que estava ali vendo o show ao menos piscasse os olhos! Ao término do show ficou aquele sentimento de que foi pouco, que essa energia seria necessária mensalmente… nenhum show mais será a mesma coisa! Se você não foi, perdeu a oportunidade FÓDA de ver essa banda de perto, trocar uma idéia com eles depois do show, pegar autógrafos e tirar fotos, agora resta esperar que no próximo certeza que estaremos presentes também!!!

Sobre a substituição do Cristo Bomba pelo Leptospirose, em pesquisa pelo facebook do pessoal que colou, citaram diversos motivos… que o pessoal do Cristo Bomba quis colar no show de sábado de graça e a organização não deixou, eles achavam que tinham direito porque iriam tocar domingo, pesaram nos caras, que a mudança se deu à mesquinharia dos donos da casa, diz que polícia apareceu, encrenca desnecessária, o batera e outro cara foram presos e uma galera foi pra delegacia acompanhar, ENFIM! Mas não foi isso que impediu de mandarem um som, se liga neles tocando lá na rua, a música CROCODILA do RATOS DE PORÃO!

Botaram pra foder  mesmo do lado de fora, isso é PUNK!

D O  I T  Y O U R S E L F !

Postado por Fábio (Grilo) / Vinícius Cuesta