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A-Plus Hiero Chili Peppers

Pepper Spray  é o álbum solo de A-Plus (membro do Souls Of Mischief e do clássico Hieroglyphics).

Pepper Spray, capa em homenagem ao clássico quinto álbum dos RHCP, “Blood Sugar Sex Magik”, de 1991

Neste álbum tributo de 2011, Compound 7 (A-Plus+ Aagee) lançaram 7 sons inspirados nos Red Hot Chili Peppers, simplesmente deixando a cara deles! Fizeram um catado nas diferentes épocas da banda, mudando um pouquinho aqui e ali, deixando a voz de Anthony Kiedis em algumas partes, e tornando tudo bem interessante!

Tracklist:

01 – Intro
02 – Can’t Stop
03 – Road Trippin
04 – Californication
05 – Hey Oh
06 – By The Way
07 – My Friends
08 – Give It Away

Curte alguns sons aí!

Postado por Fábio (Grilo)

 

 


A cria e o criador? (Charles Bradley e James Brown)

Seguinte, aqui falaremos desse cara que é um monstro, sendo comparado com outro monstro! Cada um tem sua personalidade e sua importância, não que um seja mais importante que o outro… mas é que tipo, se um não existisse, provavelmente o outro também não! Tá confuso? Espera que vamos te explicar!

Charles Bradley (64 anos), tem em suas performances e estilo de gravação consistindo com os padrões revival da gravadora com a qual trabalha (Daptone Records), celebrando o sentimento da música funk e soul das décadas de 60 e 70. Demonstrando claramente as influências de James Brown, Sam Cooke e Otis Redding (tendo inclusive sido dito que ele ecoa a rendição evocativa de Otis Redding, FÓDA não é?)

Dá a impressão que o som desse cara foi gravado nessa década, e que foi completamente abandonado e esquecido no tempo até ser descoberto hoje! Uma parada oldschool!

Se liga no FEELING

Bradley foi criado por sua avó na Flórida até os 8 anos, viveu boa parte da sua infância nas ruas, quando conheceu sua mãe que o convidou para morar com ela no Brooklyn (Nova York). Em 1962, sua irmã o levou ao Apollo Theater para assistir um show de James Brown. Bradley ficou alucinado, aquilo mudou sua vida, sem piscar um minuto vendo o Rei do Soul arregaçando tudo e sendo ovacionado, e de tão inspirado pela apresentação começou a imitar em casa o estilo de James Brown cantar e dançar, e disse: “Eu também quero fazer isso aí e quero ser fóda! (e ter uma capa, talvez!)”

Na adolescência, Bradley fugiu de casa e foi morar nas ruas e em metrôs durante 2 anos. Trabalhou em bares, aprendeu a cozinhar e um tempo depois se alistou em um programa gratuito de educação e estímulo vocacional do governo, assim levando-o para trabalhar em um restaurante como cozinheiro-chefe. Certa vez enquanto estava trabalhando algum mano lhe disse que ele parecia com James Brown, ainda assim quando questionado se sabia cantar teve medo de admitir (aquele cagaço né?). Finalmente superou esse medo e fez cinco ou seis shows com uma banda, que acabou se separando quando os colegas de Bradley foram convocados para a Guerra do Vietnã.

“Venho me apresentando como James Brown, Otis Redding e Sam Cooke desde 1968”, conta. “Agora estou aprendendo a ser eu mesmo. É mais difícil, porque muitos momentos nas minhas letras me deixam sentimental, me fazem pensar nas coisas que estou falando. Estou cantando verdades da minha vida.”

Bradley continuou no seu trabalho de cozinheiro em um hospital para doentes mentais por 10 longos anos, até decidir se mudar atravessando o pais como caroneiro. Percorreu por Nova York, Seattle, Canadá e Alasca antes de finalmente estabelecer residência na Califórnia, onde trabalhou em empregos temporários e se apresentou em pequenos shows durante 20 anos (porra, faz as contas do quanto ele foi paciente, até aqui mais ou menos 30 anos!!!)

Quando em 1996, perdeu o emprego e decidiu retornar ao Brooklyn para ficar perto da sua família. Com o dinheiro que economizou, Bradley encheu um caminhão com seus equipamentos musicais, comprados ao longo dos anos, para novamente tentar a sorte como músico. Fez várias apresentações em clubes locais como sósia de James Brown usando o apelido Black Velvet. Durante esse período, passou por maus bocados, inclusive quase morreu em um hospital depois de ter recebido uma injeção de penicilina (da qual é alérgico) e acordado com a chegada da polícia na cena do assassinato de seu irmão na rua da casa de sua mãe!

Black Velvet

Durante suas apresentações como Black Velvet foi descoberto pelo co-fundador da Daptone Records, consequentemente sendo apresentado à Tom Brennek, que o convidou para os ensaios de sua banda. Bradley disse pra banda ir tocando seus instrumentos enquanto simplesmente ia improvisando letras durante as músicas (manja quase nada!). Depois de Bradley escrever algumas músicas, a Daptone lançou algumas delas em vinil começando em 2002, dez foram escolhidas para o seu disco de estréia: No Time For Dreaming (2011). Foram por volta de 45 anos imitando James Brown, deixa ele mostrar o som DELE agora!

(Observação: Ah, a banda? The Menahan Street Band, grupo de funk/soul experimental do Brooklyn, com músicos de outras bandas como Antibalas, El Michels Affair, Sharon Jones & The Dap-Kings e da Budos Band, só nome pesado!)

“Todos nós viemos da vida dura das ruas. Então, vendo-os (se referindo a seus ídolos), aprendi a não perder a esperança, que um dia aquilo poderia acontecer comigo, que eu encontraria meu caminho. Demorou, mas finalmente aconteceu.”

Na primavera de 2012 foi lançado Soul of America, um documentário dirigido por Poull Brien, que conheceu Bradley quando dirigiu o videoclipe para a música “The World (Is Going Up In Flames)”. O filme conta a história de Bradley desde sua infância na Flórida, passando por seus dias de mendigo e seus shows como Black Velvet, o filme termina com sua primeira turnê e gravação do disco pela Daptone Records. O segundo disco de Bradley, Victim of Love, foi lançado em 2 de abril de 2013 ainda pela Daptone Records.

Trailer: Soul of America (2012)

The World (Is Going Up In Flames)

E ele fez show por aqui na Virada Cultural de 2012!

Depois de saberem da história desse cara, escutem um pouco para terem noção realmente do que estamos falando, ele se entrega, ele é apaixonado pra caralho, ele destrói, ele chora, ele dança:

Charles Bradley and The Menahan Street Band (Full Performance – Live on KEXP)

Charles Bradley and The Menahan Street Band – This Love Ain’t Big Enough (Live in Paris 07.2011)

Love Bug Blues

Obrigado Charles Bradley, pela persistência!

Postado por Fábio (Grilo)


Zé do Caixão (Coffin’ Joe) + Heavy Trash

Zé do Caixão (ou Coffin’ Joe como é conhecido lá fora) não teve tanto reconhecimento aqui no Brasil (a não ser em quadros de humor e/ou sátiras). José Mojica Marins, criador deste célebre personagem, desenvolveu um estilo próprio de filmar, que inicialmente desprezado pela crítica nacional, passou a ser reverenciado após seus filmes começarem a ser considerados cult no circuito internacional. Mojica é considerado como um dos inspiradores do Movimento Marginal no Brasil.

Zé do Caixão, personagem criado por Mojica em 1963, foi baseado numa figura de um pesadelo do cineasta. É um personagem amoral e niilista que se considera superior aos outros e os explora para atender a seus objetivos, é um descrente obsessivo, um personagem humano, que não crê em Deus ou no Diabo. O cruel e sádico agente funerário Zé do Caixão é temido e odiado pelos habitantes da cidade onde mora. O tema principal da saga do personagem é sua obsessão pela continuidade do sangue: Ele quer ser o pai da criança superior a partir da “mulher perfeita”. Sua ideia de uma mulher “perfeita” não é exatamente física, mas a de alguém que ele considera intelectualmente superior à média. Na busca por esta mulher ele está sempre disposto a matar quem cruza o seu caminho (tem gente que faz isso até pras que não são tão intelectuais assim…)

Em 2011 apareceu dentro de um caixão suspenso na Praça Júlio Prestes, abrindo o show do MISFITS na Virada Cultural (que foi FÓDA!), só que a galera começou a atirar latas de cerveja e garrafas de água… daí não deu muito certo e ele jogou uma praga na galera, claro!

 “Estão atirando coisa, me machucáro, quase que me cegaram os olhos, segura as pessoa, seus vândalo, malvados, bandido, (?), merece realmente para as profundezas do infeeeerrrrno” 

Enfim, já o Heavy Trash é uma banda de rock ‘n’ roll, rockabilly, blues, country e garage punk liderada pelos fodíferos Jon Spencer (frontman do incrível The Jon Spencer Blues Explosion) e Matt Verta-Ray (guitarrista do Speedball Baby). Com toda essa temática, os dois se juntaram em 2009 num show intimista da MTV, onde Jon Spencer contou de sua vontade em conhecer Zé do Caixão, e como isso foi realizado!

Música: You Can’t Win

Confira o show completo também, porque vale a pena!

Músicas: Justine Alright, (Matt Verta-Ray contando como criou a banda com Jon Spencer) Dark Hair’d Reider, Bumblee Bee

Músicas: Papo sobre influências, e a história da música a seguir – She Baby, (Jon Spencer conta a origem do nome Heavy Trash), Way Out

Postado por Fábio (Grilo)